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Literatura lésbica | Parte 1 – aquelas que não podem falar dizendo o que não deve ser dito

17/10/2019

Ao deparar-se com o termo Literatura Lésbica, muita gente se pergunta: o que é isso? Isso existe? Ou, até mesmo, para quê isso?


Infelizmente, quando se trata de dar voz e espaço às “minorias”, esse tipo de reação não é incomum. Uma negação mais cruel do que a do espaço em si, a do valor e da necessidade do mesmo.

 

Afinal... Segundo este tipo de pensamento, preconceito é separar e classificar. “Para quê cotas? Para quê literatura lésbica? Literatura é literatura, pouco importa se é escrita por mulheres, lésbicas, trans, negras. Somos todos seres humanos, as pessoas são todas iguais!”
Mesmo?

 

 

 

Seria maravilhoso viver em um mundo onde todos fossem apenas gente e mais nada. Um mundo onde não existissem diferenças, privilégios, relações assimétricas de poder. 

 

Mas esta não é a nossa realidade. 

 

No mundo em que vivemos - onde as estruturas perversas do poder existem a serviço de manter a exclusão, a invisibilidade e o silenciamento de todos que não se enquadrem, e a desigualdade, de forma absolutamente cruel e tirana em seus critérios, elege aqueles que interessam, que detêm o espaço e o direito de falar, de se expressar, de se tornar visíveis -,  rótulos e classificações são necessários exatamente para que os excluídos possam garantir e ocupar direitos e espaços que lhes são interditos.

 

A Profª Drª Regina Dalcastagné, do Departamento de Teoria Literária e Literaturas da Universidade de Brasília, em sua pesquisa cujo resultado pode ser encontrado no texto “Um mapa de ausências” do livro “Literatura brasileira contemporânea: um território contestado”, fez um mapeamento das publicações literárias de grandes editoras brasileiras e chegou à triste conclusão de que, em um país tão lindamente repleto de diversidades e pluralidades como o nosso, o perfil da grande maioria dos autores publicados é o seguinte: homem branco, heterossexual, cisgênero, com mais de 40 anos, membro da classe média, jornalista, morador do Rio de Janeiro ou de São Paulo. 

 

Se alguém ainda tinha alguma dúvida, acho que depois disso fica bem claro qual o discurso que interessa e a escrita escolhida para ser visível hoje em dia no Brasil. 

 

Nomear de literatura lésbica narrativas de mulheres que vivem as suas afetividades e sexualidades centradas em outras mulheres é de extrema e profunda importância neste momento, pelo aspecto revolucionário, de luta e resistência que isto possui, pelo significado e pelo que representa: dar voz a sexualidades que ainda se produzem trancadas “dentro do armário”, de visibilizar e empoderar uma literatura em que a mulher surge não como simples e silencioso objeto do desejo, mas como sujeito desejante, portadora da voz e do discurso.

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