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LITERATURA LÉSBICA POR QUÊ?

Quando falamos sobre literatura com temática lésbica, não estamos falando da criação de um rótulo. Estamos falando da criação de uma representatividade. Não que exista uma identidade única para representar a mulher lésbica. É exatamente o oposto que queremos mostrar: a pluralidade de ser mulher e ser lésbica.

 

Mas o lugar de onde se fala importa. E não é possível negar que existe, sim, uma possibilidade maior de identificação quando aquela que escreve – e aquela sobre quem se fala – se aproxima daquela que lê. Um texto escrito por uma lésbica tem o ponto de vista de uma mulher que vive sua afetividade e sexualidade centrada em outras mulheres. E a leitora mulher e lésbica pode se identificar com a personagem, a que foi escrita por uma mulher, para uma mulher. A mulher que fala; a mulher que ama; a mulher que deseja; a mulher que sofre. A mulher que vive e luta, diariamente, a luta de ser mulher. E lésbica.

 

Em uma sociedade que ainda encontra dificuldade para aceitar a diversidade, que ainda insiste em ditar padrões, este livro tem a pretensão de dar voz e tornar visível uma realidade que ainda é minoritária – mesmo dentro do universo LGBT. Afastada do viés machista heteronormativo, a mulher lésbica precisa ser vista como sujeito que existe independente do homem – e não mais, nunca mais, somente como um objeto de desejo.

 

A literatura com temática lésbica pode ser considerada uma literatura marginal – no sentido puro da palavra: aquela que está à margem. E a nossa intenção é de que ela esteja, cada vez mais, ao centro. Assim como sonhamos com o dia em que a mulher lésbica possa existir como protagonista-narradora-sujeito desejante, portadora da voz, do ponto de vista e do discurso.

 

Seria ideal que não houvesse a necessidade de classificar. Seria ideal um mundo em que pudéssemos ocupar todos os espaços sem a necessidade de rótulos. No entanto, esse mundo ainda é só um ideal e, se não rotulássemos agora, não haveria espaço – para a existência e, muito menos, para a literatura.

 

 

 

 

 

 

*Esse texto foi retirado da "Apresentação" do livro [in]contadas - aquelas que não podem falar dizendo o que não deve ser dito, uma coletânea de literatura lésbica organizada por Diedra Roiz e Manuela Neves, com distribuição gratuita.

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